{"id":1712,"date":"2026-10-25T10:57:16","date_gmt":"2026-10-25T13:57:16","guid":{"rendered":"https:\/\/bomdiacidade.com.br\/adamantina\/2026\/10\/25\/inalacao-controlada-de-ar-parkinson\/"},"modified":"2026-10-25T10:57:16","modified_gmt":"2026-10-25T13:57:16","slug":"inalacao-controlada-de-ar-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bomdiacidade.com.br\/adamantina\/2026\/10\/25\/inalacao-controlada-de-ar-parkinson\/","title":{"rendered":"Inala\u00e7\u00e3o controlada de ar rarefeito pode ser estrat\u00e9gia para atenuar sintomas de Parkinson"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respirar ar rarefeito \u2013 como o encontrado no topo de grandes montanhas \u2013 costuma ser desgastante para o organismo. Mas um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que a exposi\u00e7\u00e3o controlada e em pequenos intervalos ao ar com baixa oxigena\u00e7\u00e3o \u00e9 segura, n\u00e3o prejudica o sono e pode modular horm\u00f4nios e marcadores associados \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o em pessoas com doen\u00e7a de Parkinson. Os resultados preliminares abrem caminho para investiga\u00e7\u00f5es mais aprofundadas sobre o uso da t\u00e9cnica como terapia complementar para a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chamada cientificamente de hip\u00f3xia intermitente, a abordagem busca estimular respostas adaptativas do corpo sem sobrecarreg\u00e1-lo. \u201cOs resultados iniciais indicam que a t\u00e9cnica ativa mecanismos de prote\u00e7\u00e3o que podem beneficiar pessoas com Parkinson de modo seguro, sem causar efeitos adversos. Isso \u00e9 importante, pois nos permite realizar investiga\u00e7\u00f5es com um maior n\u00famero de volunt\u00e1rios e tamb\u00e9m com protocolos de longo prazo, que avaliem os efeitos de sess\u00f5es repetidas\u201d, afirma Fabio Barbieri, coordenador do Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Movimento Humano (Movi-Lab) e do projeto de extens\u00e3o Ativa Parkinson na Unesp de Bauru, que liderou a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: Alimenta\u00e7\u00e3o do pai pode estar relacionada \u00e0s caracter\u00edsticas do beb\u00ea antes da concep\u00e7\u00e3o, diz pesquisa<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estima-se que 11 milh\u00f5es de pessoas no mundo tenham a doen\u00e7a de Parkinson. Caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o progressiva de neur\u00f4nios produtores de dopamina \u2013 neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos \u2013, a condi\u00e7\u00e3o provoca sintomas motores bem conhecidos, como tremores, rigidez muscular e lentid\u00e3o, mas tamb\u00e9m desencadeia manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o motoras importantes, incluindo altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, processos inflamat\u00f3rios e dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como explica Barbieri, medicamentos ajudam no manejo da enfermidade, mas n\u00e3o promovem as modifica\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e anti-inflamat\u00f3rias necess\u00e1rias para aliviar todos os sintomas. \u201cAtualmente, o exerc\u00edcio f\u00edsico \u00e9 a \u00fanica estrat\u00e9gia dispon\u00edvel que consegue melhorar as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Por isso, \u00e9 interessante descobrir se a hip\u00f3xia controlada teria um efeito parecido, tornando-se um tratamento complementar ao exerc\u00edcio f\u00edsico. De maneira nenhuma estamos falando em cura da doen\u00e7a de Parkinson ou de uma abordagem que substitua qualquer outro tratamento\u201d, ressalta o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em agosto na revista <em>Parkinsonism &amp; Related Disorders<\/em> e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/111982\/desvendando-a-assimetria-do-andar-em-pacientes-com-doenca-de-parkinson-dos-mecanismos-neurais-e-moto\/?q=22\/02971-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiado<\/a> pela FAPESP, o estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de 30 volunt\u00e1rios \u2013 metade afetada pela doen\u00e7a de Parkinson e a outra metade saud\u00e1vel. No experimento, que durou 39 minutos, eles utilizaram m\u00e1scaras e equipamentos que intercalavam quatro ciclos de seis minutos respirando ar com apenas 10% de concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio (equivalente a 5.800 metros de altitude) e tr\u00eas intervalos de cinco minutos respirando ar normal (21% de oxig\u00eanio). Em outro dia, para compara\u00e7\u00e3o, os mesmos volunt\u00e1rios passaram por uma sess\u00e3o-controle respirando apenas ar normal durante todo o tempo.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Marcadores sangu\u00edneos<\/strong><\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores observaram que, nos volunt\u00e1rios com Parkinson, uma \u00fanica sess\u00e3o de hip\u00f3xia intermitente foi suficiente para reduzir, momentaneamente, os n\u00edveis de cortisol (horm\u00f4nio associado ao estresse) e de leptina (horm\u00f4nio produzido pelo tecido adiposo que atua no controle do metabolismo e da saciedade, mas que em excesso favorece processos inflamat\u00f3rios). Al\u00e9m disso, houve um aumento sustentado da adiponectina \u2013 subst\u00e2ncia de a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria que costuma ficar desregulada na doen\u00e7a de Parkinson \u2013, efeito que se manteve mesmo 24 horas ap\u00f3s o experimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Murilo Henrique Faria, primeiro autor do estudo e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/236764\/biomarcadores-da-atividade-eletrica-cortical-durante-a-marcha-de-pessoas-com-doenca-de-parkinson\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bolsista<\/a> da FAPESP, o desequil\u00edbrio nessas tr\u00eas subst\u00e2ncias costuma estar ligado \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, a desajustes hormonais e a problemas para dormir comuns na doen\u00e7a. \u201cPortanto, nossos resultados demonstram que o uso da hip\u00f3xia intermitente pode modular o metabolismo, o que possivelmente desencadeia efeitos positivos no comportamento de sono em pessoas com doen\u00e7a de Parkinson\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os autores, havia o receio de que a hip\u00f3xia pudesse causar despertares ou ins\u00f4nia, mas n\u00e3o foi o que o experimento mostrou. \u201cUma \u00fanica sess\u00e3o de hip\u00f3xia intermitente n\u00e3o alterou par\u00e2metros gerais do sono [como n\u00famero de despertares ou tempo para adormecer], tanto nas pessoas com doen\u00e7a de Parkinson quanto nos volunt\u00e1rios saud\u00e1veis\u201d, conta Faria.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: Pesquisadores desenvolvem a\u00e7\u00facar de cana com baixo \u00edndice glic\u00eamico<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Barbieri, embora uma sess\u00e3o do protocolo tenha sido suficiente para modificar biomarcadores no sangue, como reduzir o cortisol e aumentar a adiponectina, ela pode ter sido insuficiente para reorganizar o ciclo de sono-vig\u00edlia. \u201cDa\u00ed a necessidade de estudos mais aprofundados e com maior dura\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m confirmou que o procedimento n\u00e3o alterou as taxas de ferro no sangue nem elevou os n\u00edveis de interleucina 6 (mol\u00e9cula que estimula processos inflamat\u00f3rios), refor\u00e7ando a seguran\u00e7a do m\u00e9todo. Al\u00e9m disso, ajudou a preservar a concentra\u00e7\u00e3o da prote\u00edna BDNF (sigla em ingl\u00eas para fator neurotr\u00f3fico derivado do c\u00e9rebro), essencial para a prote\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia dos neur\u00f4nios. \u201cManter os n\u00edveis de BDNF est\u00e1veis \u00e9 um resultado relevante, pois essa prote\u00edna costuma cair durante per\u00edodos de inatividade f\u00edsica \u2013 queda que de fato ocorreu quando os pacientes passaram pela sess\u00e3o-controle respirando ar normal. A hip\u00f3xia intermitente conseguiu evitar esse decl\u00ednio ao mesmo tempo em que aumentou a adiponectina, o que abre caminho para novas investiga\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Faria.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O papel da hormese<\/strong><\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O motivo por tr\u00e1s desse efeito ben\u00e9fico da hip\u00f3xia intermitente est\u00e1 em um conceito chamado hormese, a capacidade do organismo de se adaptar a pequenos estresses. \u201cUsamos doses controladas de hip\u00f3xia para provocar adapta\u00e7\u00f5es positivas, algo que pode ajudar pessoas com doen\u00e7a de Parkinson\u201d, explica Carlos Augusto Kalva-Filho, pesquisador de p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Ci\u00eancias de Bauru (FC-Unesp) e coautor do estudo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele conta que esse tipo de exposi\u00e7\u00e3o ao ar simulado de elevada altitude, seja por meio de m\u00e1scaras e equipamentos, seja por c\u00e2maras isoladas, costuma ser indicado para a prepara\u00e7\u00e3o de atletas. \u201cNo entanto, poucos grupos de pesquisa no mundo investigam essa estrat\u00e9gia em pessoas com doen\u00e7a de Parkinson.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segredo, acrescenta o pesquisador, est\u00e1 na altern\u00e2ncia entre ar rarefeito e ar normal e no controle rigoroso da dose. Esse est\u00edmulo na medida certa mant\u00e9m ativa uma prote\u00edna chamada HIF-1\u03b1 (fator induzido por hip\u00f3xia 1-alfa), que funciona como um sensor celular capaz de acionar mecanismos de prote\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios e otimizar a produ\u00e7\u00e3o de energia nas c\u00e9lulas (o chamado metabolismo mitocondrial). \u201c\u00c9 esse controle preciso que gera o benef\u00edcio. Portanto, n\u00e3o \u00e9 o caso de simplesmente fugir para as montanhas\u201d, brinca.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kalva-Filho tamb\u00e9m explica que o efeito \u00e9 muito diferente do chamado mal agudo da montanha, quando viajantes em grandes altitudes sentem dor de cabe\u00e7a, n\u00e1usea ou fadiga \u2013 e jogadores de futebol perdem o f\u00f4lego e o rendimento em campo. \u201cAo viajar para esses locais muito altos, o organismo sofre um estresse cont\u00ednuo e prolongado, o que acaba sobrecarregando o corpo. J\u00e1 no laborat\u00f3rio, tudo \u00e9 controlado.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<p>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube-nocookie.com\/embed\/wOarS3ZBQkk\" title=\"V\u00eddeo do YouTube\" width=\"1080\" height=\"608\" loading=\"lazy\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n<\/p>\n<\/figure><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/saude\/inalacao-controlada-de-ar-parkinson\/\">Fonte Link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respirar ar rarefeito \u2013 como o encontrado no topo de grandes montanhas \u2013 costuma ser desgastante para o organismo. 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